quinta-feira, 13 de junho de 2013

O povo é como o gado

Pelo menos é o que dizem, que o povo é como o gado.
Mesmo que o gado, não tenha alma como o povo.
É como o gado, nas mãos de quem os apascenta,
E, que faz do povo rebanho, o coletivo de gado.

É gado no cheiro, da manada ruminando.
Não o leguminoso, que acaso tenha comido.
Mas o lixo da mídia, e da fala ociosa,
Que nada assemelha ao gado, que sequer fala.

E quando fala muge, berra e rumina, e até escorneia.
Ai do povo, se o gado fala, para dizer que detesta,
Quando a ele é comparado.
O gado não foge ao seu instinto, mesmo sem afetividade.

O gado conhece o seu dono, mesmo sem seu intelecto.
O gado aceita ser tocado, até para o matadouro,
Mesmo sem ter volição, e esboçar vontade.
Sim, se for comparado, o povo é menor que o gado.

No cheiro, não exala o orvalho e a relva, a exemplo do gado.
O povo, em vez de odor, exala o fedor,
Que nem, o melhor boticário poderia aplacar.
O mau-cheiro do vício, do libidinoso, e o maior de todos,

O mau-cheiro do ódio, mesmo de seu igual,
Bem diferente do gado, que alimenta o povo,
Do lactante, e até o desmamado.
Ainda assim, é bom para o povo, ser tido como gado.

Não por depreciação, mas por comparação.
Se pudesse escolher, em detrimento de povo,
Quiséramos ser, então como o gado.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Meu lado Gauche

Em meu lado gauche gosto de violência, de sensualidade, de vingança!
Em meu lado superficial gosto de moderação, de moralidade e de perdão!
Em meu lado gauche prefiro ler sobre uma ocorrência de catástrofe à propaganda de máquinas e equipamentos agrícolas, ou mesmo uma notícia altruísta!
Em meu lado convencional gosto da justiça, feita de forma imediata, cuja sentença nunca poderia ser menos que a morte, a quem pratica ato contra um infante, indefeso e inocente!
Meu lado gauche é sujo, é feio, e dá medo!
Meu lado gauche é limpo, é lindo e verdadeiro!

Afinal ser gauche é ser do lado avesso. É ser contra tudo, e contrario a todos os homens!
Então quando dá sou gauche, e em raras vezes posso me dar a esse luxo, tão controverso e tão ousado.
Nesse aspecto o mundo é mesmo muito hipócrita, pois quantos são tais quais eu: gauche de tudo; só que temem sê-lo, por conta do preço e do peso que isso implica.

Ser gauche é ser livre para odiar sem pejo. Desejar a tudo, sem medo de ser libidinoso, impudente e concupiscente.
Ser gauche é divisar a liberdade de fazer o que quiser, sem o aguilhão das ponderações, cuja convenção firmou-se no modus de esconder o que deseja fazer.
Como gauche, deleito-me em odiar, em não ter de ser grato e sociável, e de esperar por nada. Em ser rigoroso com todos, sem sê-lo comigo mesmo.

Como gauche detesto o casamento, e o que dele decorre.
Como gauche detesto a prostituição, a exploração do corpo para os deleites, como se este fosse forçado a produzir substâncias tão desprezíveis como a libido e a viscosidade da saliva.
Como gauche gostaria de não ser nada que pudesse ser medido pela estatística da existência, da antropologia, da psicologia e da religião.

Que me vale ser aceito pelo modelo do mundo social, se todos são assim, tão vis, tão feios, e tão mortos?
Como gauche posso, pelo menos na crônica e na poesia ser eu mesmo, sem retoques, sem matiz; propondo a controvérsia de apenas estar compondo mais um texto, ou de ser eu, na mais crua essência.
Se pudesse não gostaria de ser gauche, mas me é imposta esta obrigação, pelo tato, pelo gosto, pelo cheiro, pela visão, pela audição, e mais ainda, pela razão.

Pelo menos sei quem sou, e o que quero! Logo não estou à procura de mais nada.
Já bastam os males que tenho de conceber e esconder, de tanta gente dissimulada, quando não dá para ser gauche.
Como gauche também sou dissimulado, e daí?